#SHE, SATURNINO: Prefiro a mentira. Prefiro fingir que não sei. E vocês?


Once in a while… there’s someone who shakes my head up. Meaning: makes me see things from a different perspective.

No outro dia tive uma discussão, melhor dito, debate muito interessante:
Os angolanos têm como tradição, quando estão num namoro sério, de fazer 3 coisas:
- APRESENTAÇÃO: consiste, como diz a própria palavra, numa apresentação formal do noivo (e respectiva família) à família da noiva em que as duas famílias convivem e tentam conhecer-se melhor;

-De seguida segue-se o PEDIDO, em que é feita uma reunião em que o noivo pede a sua noiva em casamento mas na presença dos seus familiares mais próximos. 

-A última etapa antes do dito casamento é o ALAMBAMENTO, os noivos não se envolvem muito nesta etapa. Os “mais velhos” de ambas as famílias é que discutem entre si… E discutem o quê? A família da noiva faz uma lista de bens (que podem ser desde bois e vacas aos mais ricos tecidos que o oriente pode oferecer) que a família do noivo tem que providenciar…

Escusado será dizer que, qualquer uma destas etapas é sempre acompanhada por muitos comes e bebes, o belo do funge com moamba de galinha, feijão de óleo de palma com banana, peixe seco, carne seca, molho de tomate com ovo cozido, kizaca, bolo de jinguba, kissangua…

Isto são tradições. A maioria das famílias já não faz o alambamento,mas a apresentação e o pedido são essenciais…
Eu nasci e cresci em Portugal, logo, mesmo sendo angolana, não sigo estas tradições…

Será que conhecendo a família do noivo, suas intenções e origens, evitamos maus casamentos?
Será que as mulheres pelas quais se dá uma espécie de dote são mais valiosas para as suas famílias do que as outras que, citando um rapaz que conheci “são filhas de chocadeira porque é só ir buscar”?
E porque não implementar mais o pedido nos dias de hoje?

Lies make us feel better.
Fica sempre bem dizer que “prefiro a verdade dolorosa do que a mentira consoladora” mas a realidade é que já tive dias em que deixei que a mentira me abraçasse. E, CHOQUE, actually felt good.
Pois é. Acho que precisamos de começar a ser mais humanos e verdadeiros connosco próprios e admitir que,sim, nós sabemos qual é a verdade mas a pura verdade é que escolhemos a mentira. Não muitas vezes,mas quando nos interessa. Sim, quando me interessa, eu ignoro a verdade. Prefiro a mentira. Prefiro fingir que não sei. E vocês?

Naara

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